[Explicações e dicas] - Arrefecimento

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Bange
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[Explicações e dicas] - Arrefecimento

Mensagem por Bange » Terça-feira 05 2019f Março 2019 12:31:19 PM

Premissas:
Carros originais, com ou sem AC, de fábrica.
Motores com sensor de temperatura e não com cebolão

Carros sem AC
Apenas 1 ventoinha (grande) entre o radiador e o motor, liga com +- 98°C e desliga com +- 94°C
Carros com AC
Tem 2 ventoinhas (exceto Classic após 2011): 1 ventoinha (grande) entre o radiador e o motor + 1 ventoinha (pequena) entre o radiador e a grade externa (exceto Classic após 2011).
Tem 2 velocidades: baixa, liga com +- 95°C, se a temperatura subir... liga a alta com +- 98°C...ambas desligam com +-94°C.
As duas ventoinhas funcionam sempre juntas, independente do AC estar ligado ou não.

Corsas até 2002, tem um sensor de temperatura separado só para o painel e outro só para controle do arrefecimento pela ECU.
Corsas de 2003 em diante, tem apenas um sensor de temperatura para controle do arrefecimento pela ECU e esta manda informação para o painel, mas que parece não refletir exatamente a temperatura em tempo real.

Componentes como sensor de temperatura e VT (e até cebolões), podem ser testados fora do carro, de maneira apropriada (fervendo, medindo resistência/tensão ou deslocamento no caso da VT).
Tampa do reservatório, pode ter as suas funções (vedação, limitar a pressão em 1,4Bar, permitir o retorno do ar externo), verificadas no próprio carro, mas com manômetro e bomba de pressão adequados aos valores esperados.
Bomba d'água não tem teste de eficiência dinâmica, ou seja, não há instrumental orientado a nenhum teste de pressão ou vazão do líquido, sua análise pode ser feita sem desmontar, observando-se folgas ou ruídos no eixo (dependendo da intensidade), mas se o rotor está livre (escorregando no eixo) ou com sua estrutura boa, só desmontando e inspecionando.

O sistema do arrefecimento requer o uso contínuo de aditivo com várias propriedades, as mais importantes são:
-Só congelar com temperaturas mais baixas que -33°C (forma concentrada)
-Só ebulir com temperaturas acima de 163°C (forma concentrada)
-Ph entre 7,5 e 11,5
-Ter componentes inibidores de corrosão (os mais comuns são o Glicol e o Etileno Glicol)
Observações:
1 - Mesmo com o uso contínuo de aditivos que atendam as normas, processos corrosivos são verificados, só que num prazo muito maior do que se não fossem utilizados, proporcionando uma maior durabilidade dos componentes sujeitos a corrosão (bomba d'água e seu selo, VT, radiador do motor e do AQ, tubos de conexões internas, selos do motor...)
2 - Mesmo com o uso contínuo de aditivo e independente da corrosão, o rotor da bomba d'água sofre um fenômeno físico chamado de cavitação, que é o surgimento de pequenos sulcos (buracos), na superfície das aletas, ocasionados pela diferença de pressão causada pelo giro normal da bomba.
3 - Quando no manual do usuário não constar a periodicidade da troca do líquido do arrefecimento, utilizar a indicação do fabricante do aditivo, que em função de ser orgânico ou inorgânico, pode variar de 2 a 5 anos.

Motor de combustão interna (todos), é uma fonte de calor que só tende a crescer quando em funcionamento...se este calor não for controlado (contido), a tendência é a fusão de peças metálicas no entorno ou dentro da câmara de combustão, pois o óleo lubrificante perde as suas propriedades a partir de uma certa temperatura...daí a necessidade de se arrefecer (esfriar) o motor e os métodos são:
1 - Ar forçado, como nos velhos Fuscas
2 - Líquido refrigerante, como em todos os demais carros
No caso dos líquidos refrigerantes, ele fica num circuito fechado (não tem consumo), e é bombeado nas partes que circundam a câmara de explosão, "roubando" o calor por onde passa (em situação normal, as paredes externas das câmaras atingem temperaturas de até 300°C), e levado a transitar pelo radiador do motor, onde o vento do movimento já ajuda a resfriá-lo...quando o veículo está parado ou o vento é insuficiente, entra o sistema forçado da ventoinha (elétrica), melhorando e proporcionando o arrefecimento, não permitindo que a temperatura suba além de limites seguramente projetados.
Dependendo do projeto do motor, existem diversas faixas de temperatura...a dos Corsas fica entre 92°C +- 2°C (quando a VT abre) e +- 98°C (quando liga a velocidade alta da ventoinha, considerada por alguns como velocidade de emergência).
O sistema do arrefecimento, funcionando em perfeitas condições, deve ser capaz de manter a faixa de trabalho acima descrita (+-92 a +- 98°C), porém existem vários fatores que podem causar uma ineficiência, deslocando para mais ou não controlando o limite superior:
- Bomba ineficiente (com rotor/eixo solto ou danificado/corroído)
- VT travada fechada ou que não abre completamente
- Radiador obstruído nos tubos internos ou externamente por saco plástico, folhas, etc...
- Obstrução (por excesso de detritos) nas cavernas internas (motor e/ou cabeçote)
- Perda de algum volume do líquido refrigerante (devido a vazamento em abraçadeiras, bomba, radiador - do motor ou do ar quente, mangueiras, etc...)
- Perda de pressão do sistema (pela tampa do expansor mau fechada ou defeituosa)
- Mau contato nos relés ou em conectores que ligam a(s) ventoinha(s)
- Ventoinha(s) com arrasto em seu eixo (travando, agarrada)
- Sensor fora de características (sensor da ECU)
- Líquido refrigerante sem aditivo ou em proporção inadequada
- Óleo lubrificante baixo ou já vencido ou inadequado
- Tensão baixa do alternador (menor que 12V)
- Mau contato nos fusíveis que alimentam a(s) ventoinha(s)
- Mau contato no aterramento da(s) ventoinha(s)

Quando um motor sofre um sobreaquecimento (não precisa chegar a ferver), podem surgir problemas como:
- Queima da junta do cabeçote (misturar o líquido no óleo, passar pressão para o arrefecimento - borbulhar no expansor ou passar pressão para o cilindro lateral, perda de líquido sem vazamento aparente, pois passa para a câmara...podendo ocorrer até calço hidráulico)
- Empenamento do cabeçote
- Fusão dos anéis no cilindro, arranhões na parede interna, quebra de pistão, biela...o motor tranca.
- Ruptura de alguma conexão de mangueira ou estouro da mesma.
Mas também pode não ocorrer nada disso, só ferver...tudo depende do ponto que a temperatura atingiu e do tempo que isso durou...esta temperatura e tempo não são mensuráveis e a coisa fica mais pela sorte, e o motor pode ser posto em movimento, mas observando-se bem, barulhos estranhos ou queda de performance e na mais leve alteração, esta deve ser analisada e resolvida...sob pena de danos maiores e mais caros virem a ocorrer.

Scaner é um excelente instrumento, mas não é um termômetro, portanto a informação de temperatura que ele mostra é a que a ECU está recebendo do sensor próprio...se este sensor estiver fora de características, a temperatura será mostrada erradamente, geralmente menor que a real... na dúvida use um termômetro à parte, por exemplo, tipo laser.

Por que usar aditivo no radiador:
viewtopic.php?f=40&t=107923

Teste de aditivos pelo INMETRO
viewtopic.php?f=40&t=103160

Como ligar a(s) ventoinha(s) na velocidade máxima?
Basta retirar o plug do sensor de temperatura do motor (motor em funcionamento ou apenas a chave ligada). Isto acontece sempre que a ECU não receber informação do sensor, seja por chicote em curto ou aberto, como simulado ao retirar o plug.

Teste de funcionamento do arrefecimento (enganando a ECU):
Este teste requer alguns poucos componentes e um multiteste:

https://youtu.be/T1uTSffD5Dw

Obs:
1,6V equivale a +- 95°C
1,4V equivale a +- 98°C

Teste do papelão
Este teste força o funcionamento da(s) ventoinha(s), pelo bloqueio do fluxo de ar no radiador.
ATENÇÃO: não deixe a temperatura passar muito e nem por muito tempo dos 100°C

https://youtu.be/hqQcd_phMdY



ATENÇÃO:
ESTE TÓPICO ESTÁ EM CONSTRUÇÃO E NÃO É PARA DEBATES, QUALQUER POSTAGEM SERÁ ANALISADA E APAGADA.




Bange
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Re: [Explicações e dicas] - Arrefecimento

Mensagem por Bange » Quinta-feira 20 2019f Junho 2019 05:49:25 PM

Tópico atualizado com o teste do papelão...



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